Naquela tarde de verão, Bia Lu ficou encarregada de preparar os arredores do circulo de pedras para a cerimônia que seria realizada a noite. Chegando no local, ela escutou vozes de três ou quatro homens vindo da direção do local sagrado. Apesar do local não ser um segredo entre as comunidades do vale, o respeito, e medo, pelos druidas fazia com que as pessoas raramente viessem aqui, a menos que fosse uma cerimônia oficial. E este simples pensamento, fez com que Bia Lu se aproximasse com cautela, se escondendo para observar quem estava a frente e o que queriam. Para sua surpresa e indignação, dois homens, um elfo e um anão estavam cavando no local. Um absurdo! Um ultraje!! Como ousam? Pensou ela. Rapidamente, ela correu de volta procurando por Amafrey que estava no acampamento druídico com Gallad e Kar-Dal preparando as oferendas para mais a noite.
Amafrey e Gallad quase não acreditaram que pessoas estavam profanando um local sagrado. Que se arriscariam trazer a ira de Sylvanus.
Apesar da indignação, esta era uma situação nova para as quatro mulheres. Gallad, a mais velha, decidiu que Bia Lu deveria voltar ao círculo e obeservar o que os estranhos queriam e fariam. Enquanto isso, Kar-Dal cuidaria do acampamento enquanto elas, gallad e Amafrey, procurariam por Thersos.
Prontamente Bia Lu voltou ao circulo mas os estranhos já não estavam mais lá. Ela via que havia um buraco no chão e que uma corda, amarrada a uma das pedras sagradas, se dependurava para dentro. Ela decidiu seguir os estranhos com cautela e, acima de tudo, curiosidade. Ela nunca suspeitara de uma caverna abaixo do círculo e, imaginava, que Amafrey e Gallad e, quem sabe, Thersos, provavelmente também não sabiam desse fato. Bia Lu desceu pela corda para uma caverna perfeitamente circular com um caldeirão no centro. Obviamente, esta não era uma caverna, mas sim algo construído por alguém com grande inteligência. Não havia sinal dos estranhos ali, que, se não haviam sido desintegrados por alguma maldição de Sylvanus, só poderiam ter decido por um pequeno alçapão próximo a parede. Bia Lu fez uma pequena prece, fazendo que a pedra em sua tiara se iluminasse igual a uma tocha. Ela viu que haviam escadas que levavam para o nível inferior e, cautelosa, desceu os degraus de pedra até uma pequena alcova com uma porta, uma porta normal, para seu espanto. Do outro lado da porta não havia ninguém, apenas outra sala redonda, que parecia estar abandonada e esquecida por séculos. Sinais de vandalismo recente mostravam que os estranhos haviam passado por aqui procurando por algo. Ao longe, ela podia escutar suas vozes vindo de uma outra escada que descia ainda mais. Bia desceu pelas escadas, tomando todo cuidado possível, conseguindo dicenir cada vez mais a conversa dos homens a frente. Mas então, eles ficaram em silencia e ela escutou um deles avisando aos outros que eles estavam sendo seguidos. De repente Bia sentiu um frio na espinha e, tomada pelo medo, correu de volta. Mas chegando a sala anterior, para seu desespero, a porta que ela havia passado a poucos instantes havia desaparecido e, antes que ela percebesse, estava cercada pelo estranho grupo. Os homens não se mostraram hostis e após uma série de perguntas cautelosas e, tomada pela curiosidade e, claro, a impossibilidade de retornar, Bia decidiu seguir com o grupo, que estava ali buscando algo que ajudaria eles a encontrar e acabar com a vida de alguém que espalhava a doença e miséria pelo mundo.
Os cinco voltaram a descer as escadas, indo cada vez mais fundo na torre. No terceiro nível, de cima para baixo, eles chegaram a uma sala com várias camas e esqueletos. Para o horror geral, os esqueletos se levantaram e atacaram. Uma luta ferrenha tomou conta da sala apertada e Bia Lu se mostrou uma excelente combatente, derrubando dois esqueletos. Quando todos os esqueletos estavam inertes no chão, e antes que a adrenalina baixasse, o grupo levou um novo susto quando Kar-Dal entrou de súbito na sala. Novamente os ânimos se exaltaram e a tensão tomou conta da conversa. Kar-Dal entendeu os motivos do grupo, mas não aceitava a depravação do círculo. Muito preocupada com Bia Lu e tomada de raiva, ela entrara na torre e descera até ali sem ter tempo para pensar no que realmente estava acontecendo. No fato que Thersos não havia descoberto um local místico, mas sim as ruínas de uma antiga tragédia.