Julho 27, 2008...11:49 pm

Discipulas da Natureza

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Já fazia quase vinte anos que Thersos, o Verde, havia encontrado o místico círculo de pedras. Poucos sabem da vida de Thersos, além do fato de que ele veio de uma terra distante, mas muitos confiaram nele, com esperança de que, um culto divino em um local sagrado, um dos poucos no vale, traria tempos melhores ao Vale do Vento Gelado. Logo muitos se candidataram a discípulos do deus Pai, mas Therseus deixou claro que, a cada geração, aceitaria apenas dois discípulos. Seus primeiros discípulos foram Gallad e Amafrey, duas irmãs bárbaras da tribo do Alce, cuja a mãe havia morrido de uma doença estranha e o pai não aceitava criar. Ambas logo se mostraram boas druidas e passaram a ministrar cerimônias a Sylvanus antes de atingir os 20 anos. E quando Gallad, a mais velha, iria comemorar o vigésimo inverno, Therseus lhe deu um presente. Naquela noite fria, logo após a cerimônia de passagem de Gallad, Therseus revelou que encontrara, deitada na neve, um bebê que, de tão gelado, quase não se sentia seu coração bater. O presente de Therseus era esta criança, que Gallad teria que criar como uma filha. Gallad a chamou de Kar-Dal que, na língua local significa “Nascida no gelo”. Dois anos depois, Therseus trouxe ua nova criança, só que agora, nos vinte invernos de Amafrey. Está menina, havia sido escolhida na tribo do Alce para se tornar a nova druida. Pequena e tímida, Bia Lu Heather tinha uns quatro anos e já era grande o suficiente para saber que nunca mais veria sua família.

As meninas cresceram juntas, como irmãs de mães diferentes. Em momentos de maior emoção, Kar-Dal chamava Gallad de mãe, diferente de Bia Lu que respeitava Amafrey, mas se considerava sem mãe. Tudo isso facilitou para que Bia Lu entendese a filosofia da neutralidade e seguisse os passos druídicos. Já o sentimento de lealdade e amor que Kar-Dal tinha por Gallad, fez com que ela questionasse essa “neutralidade”, não entendendo este afastamento que os druidas mantinham, julgando que, se uma pessoa não poderia ser leal, nem mesmo a própria família, então algo não estava certo. Mas Kar-Dal, assim como Bia Lu, amava Sylvanus, amava a natureza e decidiu que se tornaria uma defensora da fé, uma clériga, mas sem o radicalismo e o afastamento dos druidas.

Novamente, por outros vinte anos, ambas foram criadas de acordo com os ensinamentos e viveram afastadas de tudo até este dia, quando o círculo místico foi profanado.

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