Julho 18, 2008...12:17 am

Max Reilly, o lendário Grão-Holok

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Certa vez, numa noite chuvosa e sombria, um homem trajando vestes longas, escuras e carcomidas esgueirou-se numa pequena vila humana. A safra da lavoura estava arruinada por conta dos sucessivos dias de seca. Entretanto, as preces dos aldeões foram ouvidas e a chuva caiu. Fortemente e por muitos dias. Estava começando a trazer prejuízo, inclusive. Entretanto, na noite em que este misterioso homem fora percebido, mas não abordado, na penumbra provocada pelas parcas luzes da vila, a chuva cessou.

E um bebê fora deixado na porta do único ferreiro da vila.

Espalhando a notícia para todos, logo o bebê recebeu uma fama dos supersticiosos aldeões de ser O Salvador. Entretanto, logo esqueceram o fato. A vila afundou-se em outras desgraças: saques de bandidos e goblinóides, pestes, outras chuvas. O pequeno bebê era muito violento e tempestivo. Fazia confusão e chorava bastante. Era um incômodo à Johnnata Reilly, guerreiro aposentado e ferreiro. Homem rústico, de grande porte, tinha problemas para lidar com a criança. Sua esposa falecera assim que dera o parto e seu filho legítimo falecera também no processo. Acreditava que era um castigo, uma punição divina por ter tido uma vida medíocre de aventureiro saqueador e de moral duvidosa. Via o pequeno bebê como uma chance de redenção e benção dos deuses. Até começar a ter dificuldades com seu comportamento rebelde.

Aos cinco anos Maxwell Reilly, como ficou chamado, era muito bagunceiro, rebelde. Mas sabia-se que tinha um bom coração. Não ajudava nos trabalhos e batia nas crianças que julgava como más. Tinha certo senso de justiça, mas desordeiro e que às vezes não coincidia com as regras da sociedade. Era um incompreendido, como costumava se achar. Aos dez anos percebeu-se uma força fora do comum vindo do rapaz. E uma resistência também maior. Resolveu, nesta idade, ajudar ao pai nas plantações e arava a terra quando o pai cansava. Na juventude, notava-se que Max fazia as coisas do seu jeito, mas era benevolente. Odiava quando os coletores de impostos deixavam na miséria ou extorquiam alguém. Certa vez, com quinze anos, brigou com um coletor de impostos. O deixou de olho roxo e nariz quebrado. Tivera que fugir para a floresta para não ser reconhecido como filho do ferreiro evitando retaliações a seu velho pai.

Os anos se passaram e Max desenvolveu uma musculatura invejável. Ombros largos, braços poderosos. Nos anos em que fizera dezoito anos, a pacata (exceto quando Max inspirava-se a fanfarronices e confusões, altas horas da noite na única taverna e local de encontro dos jovens de sua idade) vila sofreu um ataque de saqueadores goblinóides. Era um bando grande de seis goblins e dois líderes hobgoblins. Atacaram e mataram algumas pessoas. Max resolveu que não podia ficar sem fazer nada escondido como os jovens que ele considerava covardes por nunca aceitarem brigar com ele. Pediu ajuda ao pai que, relutante, aceitou arriscar a vida por conta do filho. Era uma coragem estranhamente familiar à Johnnata: a coragem dos aventureiros, requisito básico para viajar por aí brandindo uma espada como ele próprio fizera anos atrás. Os dois deram conta dos goblins fazendo ataques sistemáticos e promovendo emboscadas. Max sorria em cada combate. “Nascera para isso!” pensava Johnnata. E quando enfrentaram os dois hobgoblins, Max os venceu sozinho devido aos ferimentos que incapacitaram seu pai.

Tendo salvado a vila, recebeu congratulações de todos e Max se sentiu muito bem com o retorno de sua fama: O Salvador. Desde este dia, os dias para Max passaram mais vagarosamente. Tediosos e com apenas algumas incursões na floresta, abatendo animais para alimentação mais vigorosa. Mas seu coração inquieto e de origem até então desconhecida buscava por emoção. Buscava aquela excitação do combate. Certa vez provocou o filho do prefeito da vila a ponto de briga. O resultado fora desastroso para o Reilly. O filho do prefeito com uma coluna e braço quebrados e um olho muito roxo. E Max com uma condenação de exílio por perturbar a paz e as tradições e como bônus, foi considerado “incapaz de viver em sociedade” e “ameaça à segurança pública”. Assim, terminara sua controversa vida na pacata vila. Expulso. Exilado. Aos vinte anos.

Passou um ano vivendo numa floresta, aprendendo a viver sozinho. Preferiu assim, pois as cidades o entediariam. Ouvira histórias de seu pai que as cidades do mundo são muito quietas e as desavenças não podiam ser resolvidas com os punhos ou com uma arma. Havia aqueles “chatos guardas da lei” e eles eram muito rígidos. A violência era monopólio de quem governava a cidade. Assim Johnnata ensinou a Max pensando em tirar de sua cabeça o exagero que ele tinha em procurar brigas. E não foi muito efetivo, como previra.

Foi quando um homem misterioso trajando vestes longas, escuras e carcomidas apareceu…

E este desconhecido homem se revelou. Era um homem alto, de cabelos grisalhos revelando sua grande idade. Apareceu sem mais nem menos e revelou à Max, sem ser perguntado, com uma voz limpa, clara, eloqüente. Começou a contar-lhe histórias sobre uma tribo de guerreiros que surgiu no mundo há muitos séculos. Viviam da guerra e da conquista. Eram parasitas em sua região de origem e logo que acabaram com os recursos da terra, viajaram até o território de outras tribos e os exterminavam. Todos e sem piedade. Eram malignos por natureza. Durante alguns séculos, aproveitando sua força militar e capacidade de conquista, muitos seres malignos os usavam para conquistar certas terras e tribos em troca de alguns luxos como armas novas, itens mágicos, mulheres, dinheiro e etc. Tornaram-se mercenários. Quando, durante uma geração de guerreiros Holok não honrou o nome e a tradição predatória de seu povo: eram fracos e vendidos pelo tilintar das moedas de ouro. Os anciões enfurecidos encontraram uma solução drástica e radical para resolver este problema: invocaram um demônio de poder tão grande quanto sua maldade. Este demônio teria a tarefa de criar uma inteira geração de guerreiros mais fortes eliminando esta geração fraca e corrupta. Entretanto, este demônio mostrou sua vilania traindo os anciões, eliminando-os. Um jovem guerreiro que tivera seu nome esquecido pelos tempos não queria ver sua tribo extinta e, usando de poderes escusos e complexos, invocou um nêmesis para o demônio: um Titã. Seres do caos e de bondade eram conhecidos por sua força e temperamento intempestivo. Um deles aceitou o desafio e lutou contra o demônio numa batalha épica e colossal. Apesar da vitória do Titã, este padeceu devido aos ferimentos. Mas antes disso, lançou sobre a tribo dos Holoks sua marca. A marca dos titãs: a cada século um ser da tribo nasceria com capacidades acima da média e seria o maior guerreiro da tribo e, quem sabe, do mundo. Duzentos anos se passaram. Um ser da tribo tornou-se o guerreiro acima da média. Muito acima da média, na verdade. Seu nome era Kiefer e este nome tornou-se também o nome dos próximos guerreiros abençoados com o sangue do Titã. Este Kiefer se tornou uma lenda em seu tempo. Conquistou e destruiu muitas tribos, reinos e civilizações inteiras. Movido pela cultura bélica dos holoks se tornou num pesadelo para todos no mundo. Entretanto, durante um combate com um dragão negro de muito poder, fora morto. Este dragão que atendia pelo nome Eribonyxtaliff, o terror negro. Um dragão escravista que juntava a seu séqüito a mais poderosa tribo bárbara. Tendo vencido o “destruidor de mundos” dos holoks, os escravizou visando tomar controle de uma tribo tão eficiente e poderosa. Começou, nas décadas seguintes, a usá-los para conquistar territórios e tesouros. Entretanto, usando de magia para se disfarçar por um humano, vigiava as tribos escravizadas e acabou por descobrir um terrível segredo para ele: o Grão-Holok, um ser que possuía sangue de Titã e que teria mais poder a cada século que viesse. Se a luta contra o anterior teria sido difícil, o próximo com certeza o derrotaria. Assim pensou Eribon. Temeroso, decidiu eliminar a tribo dos holoks… Um a um, todos foram caçados e mortos. Exceto um. Um bebê há vinte e um anos.

Esta história fora contada a Max num período de sete dias. O jovem rapaz era inquieto e ia embora deixando o homem falando sozinho. Mas este misterioso homem sempre aparecia no dia seguinte continuando a história. Sem motivos ou explicações. Até que esta última parte o intrigou. Max ouvira atentamente. E o melhor estava por vir. Este bebê fora deixado numa vila pequena sob os cuidados de um ferreiro, da família dos Reillys. Max mal podia acreditar. Este clérigo afirmava que, durante o tempo em que esteve vigiando os holoks, prestou atenção em todos os nascimentos em busca do Grão-Holok que nasceria nesta época. Mas não vira nada de diferente ou anormal. Até o ataque do dragão, tentou salvar os bebês. Mas apenas a um conseguiu. E este era Max Reilly, até então sem nome. Sem condições de criar o bebê, o deixou numa comunidade humana civilizada que pudesse dar ao garoto um contato razoável com artes guerreiras (deixando na casa de um ex-guerreiro aventureiro). Mas sempre o vigiava em todos os aniversários do garoto (sempre comemorados nos dias em que fora achado por Johnnata Reilly). Tendo sido expulso e atingido a idade em que os poderes do Grão-Holok se manifestariam, o clérigo dissera que resolvera contar-lhe toda a história e avaliá-lo se Max era o lendário Grão-Holok.

Max achara muitas respostas para suas dúvidas. Por que era tão fanfarrão e criador de confusão? Porque era uma forma de expressar seu desejo por conflito. Por combate, por guerra. Era membro de uma tribo guerreira extinta e por isso seu entusiasmo, excitação perante a uma briga.

Ambos, clérigo e talvez Grão-Holok, viajaram até alguma cidade remota quando foram atacados por uma tribo de bárbaros. Entretanto, algo estranho conspirava no ar. Os bárbaros concentravam seus ataques em Max, querendo eliminá-lo rapidamente ignorando totalmente o clérigo. Infelizmente, durante uma intromissão do clérigo misterioso, fora atacado com muita brutalidade e morto. Max ficou furioso e os atacou com fúria. Sentiu sua mente esvair e a raiva tomando conta. Era o início do sangue Holok desenvolvendo-se…

Após este episódio, Max decidiu tornar-se mercenário. Venderia sua força e capacidade de combate a quem pagasse mais (mas com algumas ressalvas de não fazer serviço sujo). E quem sabe, um dia descobriria se era mesmo o Grão-Holok, o maior guerreiro do mundo?

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